

Um dia depois da megaoperação para desarticular um esquema bilionário de fraude no setor de combustíveis, comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), carretas foram abandonadas na Bahia. Os veículos foram encontrados na última sexta-feira (29), estacionados em um posto de gasolina de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
No entanto, vale destacar que a Bahia não faz parte, até então, da lista de estados em que a operação foi deflagrada. O esquema era praticado em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina, onde foram cumpridos mandados de busca, apreensão e prisão.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal (PF), Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Receita Federal, foram 22 carretas encontradas, sendo 13 delas pertecentes à G8Log. Conforme investigação, a empresa de fachada é usada para “ocultar e blindar a frota de veículos e para a lavagem de capitais”.
O dono da G8Log, é Mohamad Hussein Mourad, apontado pela PF como chefe do esquema bilionário do PCC. Ele é sócio de Roberto Augusto Leme da Silva, também apontado como “cabeça” das fraudes e verdadeiro dono da formuladora Copape e da distribuidora Aster, que também são investigadas no esquema.

Quem é Mohamad Hussein Mourad?
O empresário Mohamad Hussein Mourad é apontado como o “epicentro das operações” no esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro do ramo de combustíveis articulado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), de acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Ele foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), que investiga diversas fraudes em combustíveis, com desdobramentos em lavagem de capitais, fraudes tributárias e estelionato. As operações, segundo a investigação, superam a cifra de R$ 8,4 bilhões.
Mohamad se apresenta como dono da G8 Log, uma empresa de transportes, mas que, segundo a investigação, é uma empresa de fachada usada para “ocultar e blindar a frota de veículos e para a lavagem de capitais”.
A G8 Log não tem frota própria. Os caminhões da empresa estão registradas pela “Blue Star Locação de Equipamentos”, que também é a proprietária de veículos que circulam com a logomarca da Usina Grupo Itajobi, uma usina de etanol que também pertence ao mesmo grupo.
Outra empresa que possui veículos ligados ao grupo é a “Locar Locadora Ltda”, que teve um primo de Mohamad no quadro societário. Segundo a investigação, a rede de Mohamed é extensa e inclui familiares, além de sócios e “profissionais cooptados”.
Mohamad está com mandado de prisão em aberto, assim como outros sete alvos da operação. Além disso, outras seis prisões foram cumpridas na manhã de hoje.
Como funcionava o esquema
O PCC utilizava a importação irregular de metanol para adulterar combustíveis em mais de 300 postos identificados no país. O produto chegava ao Brasil pelo Porto de Paranaguá (PR) e era desviado com documentação fraudulenta, sem respeitar normas de segurança, colocando em risco motoristas e o meio ambiente.
Consumidores eram lesados com volumes menores ou combustíveis fora das especificações da ANP, enquanto proprietários de postos vendidos à organização criminosa eram ameaçados caso cobrassem os valores devidos.
Dinheiro movimentado por fintechs
O grupo movimentava os lucros bilionários por fintechs controladas pelo crime organizado, usando contabilidade paralela para ocultar os beneficiários finais. Parte dos recursos foi utilizada na compra de usinas sucroalcooleiras e na expansão do grupo no setor de combustíveis, absorvendo distribuidoras, transportadoras e postos.
Esforço interinstitucional
A operação Carbono Oculto envolve Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, Receita Federal, Secretaria da Fazenda, ANP e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) já iniciou medidas judiciais para bloquear bens e tentar recuperar os R$ 7,6 bilhões sonegados.
Segundo o MP-SP, “o PCC atua como rede de organizações criminosas, inserindo-se na economia formal para garantir efetividade econômica ilícita, especialmente no setor de combustíveis e no sistema financeiro”.
Reprodução / Metrópoles