

O presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, definiu uma data para a primeira sessão de julgamento da ação penal da tentativa de golpe de Estado.
As sessões extraordinárias irão iniciar no dia 2 de setembro e seguirão nas datas 3, 9, 10 e 12 do mesmo mês. O horário das sessões será das 9h às 12h. E nos dias 2, 9 e 12, das 14h às 19h. Além do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), serão julgados mais sete réus do chamado do núcleo 1.
Em julho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou ao STF suas alegações finais sobre o caso. No documento, ele defendeu a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes.
“Todos eles convergiram, dentro do seu espaço de atuação possível, para o objetivo comum de assegurar a permanência do presidente da República da época no exercício da condução do Estado, mesmo que não vencesse as eleições”, escreveu Gonet, em sua manifestação final. Os réus negam as acusações.
O julgamento será conduzido pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux. O principal ponto a ser julgado pelo colegiado será o plano para reverter o resultado da eleição presidencial de 2022 para manter Bolsonaro no poder. Apesar do apoio de uma ala das Forças Armadas, a trama golpista só não prosseguiu porque os então comandantes do Exército, Freire Gomes, e da Aeronáutica, Baptista Júnior, se negaram a colocar as tropas à disposição do ex-presidente.
Além de Bolsonaro, também serão julgados os ex-ministros Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres e Paulo Sérgio Nogueira; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência.
O STF quer evitar que o julgamento vire alvo de disputas políticas e se estenda até 2026, ano eleitoral. Para isso, a Corte se organizou para concluir as sessões em até duas semanas. Para evitar pedidos de vista , o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, encaminhou aos demais integrantes da Primeira Turma um link com documentos, vídeos e áudios usados como provas do processo.
Caso sejam condenados, Bolsonaro e os demais réus poderão apresentar na própria Primeira Turma os chamados embargos de declaração, tipo de recurso utilizado para esclarecer pontos de uma decisão. Esse instrumento não costuma reverter o resultado de um julgamento.
Como o julgamento tem influenciado na política
Além das questões jurídicas, o julgamento de Bolsonaro também influencia na política. A possibilidade do ex-presidente ser condenado acelerou os debates na direita sobre a candidatura presidencial em 2026.
Lideranças do Centrão defendem uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Publicamente, ele tem dito que pretende disputar a reeleição, mas na semana passada já passou a transitar em eventos ao lado de lideranças do Centrão.
Outros nomes da direita também disputam o espaço deixado por Bolsonaro, que, apesar de estar inelegível, vinha mantendo a pretensão de ser candidato. Os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais, já lançaram suas pré-candidaturas.